Homem: Dono de Si?

O que faz do homem dono de si? A pergunta nos leva a várias possibilidades de reflexão, mas qualquer uma delas nos remete ao conceito de autoconhecimento. Até mesmo porque para responder, antes é preciso investigar, sair da linha d’Água e adentrar as profundezas do “quem eu sou”. Olhar para si mesmo, para o entorno e buscar respostas que caibam na percepção particular do que torna cada indivíduo dono de si.

*Pelo viés filosófico o conhecimento de si próprio é a finalidade de uma busca de natureza ética que tem suas raízes no oráculo de Delfos – “Conhece-te a ti mesmo”. Algo não construído, mas a ser elaborado. Processado através de escolhas onde o sujeito entre o que pode e o que deve, encontra um significado para o que quer e conquista o feito de ser mestre de si e autor de sua própria história.

Na psicologia a definição é clássica: o autoconhecimento significa o conhecimento que o sujeito tem de si mesmo e de suas próprias emoções, por uma percepção mais apurada de como essas emoções influenciam o modo como reage às circunstâncias. Mas, muitos, sem uma definição clara do que é ser mestre de si, sem um norte e afastados das suas medidas, vivem ao sabor do destino, sem propósitos ou projetos que lhes ofereça um lastro, um sentido de vida e, alheios da responsabilidade por suas ações, especializam-se em imputá-las ao outro, quando nem mesmo conhecem o que trazem em si.

Revisitando o discurso de Chaplin no “O grande ditador” na década de 40 que, dado o momento pelo qual todos passamos, não poderia ser mais atual e oportuno, vê-se claramente margens para identificação de alguns atalhos escolhidos pelo próprio homem que, ao longo tempo, o torna cada vez mais cego de sua essência, perdido da própria visão de futuro e do sentido de unidade, distante não apenas de si, mas também do outro.

“O caminho da vida pode ser o da liberdade e da beleza, porém, desviamo-nos dele. A cobiça envenenou a alma dos homens, levantou no mundo as muralhas do ódio e tem-nos feito marchar a passo de ganso para a miséria e os morticínios. Criamos a época da produção veloz, mas nos sentimos enclausurados dentro dela.  A máquina, que produz em grande escala, tem provocado a escassez. Nossos conhecimentos fizeram-nos céticos; nossa inteligência, empedernidos e cruéis. Pensamos em demasia e sentimos bem pouco.  Mais do que máquinas, precisamos de humanidade; mais do que de inteligência, precisamos de afeição e doçura! Sem essas virtudes, a vida será de violência e tudo estará perdido.”

“Aquele que não conhece a si mesmo não pode dizer-se dono de si”. O pressuposto da liberdade é a responsabilidade sobre si próprio. Independente das teorias e técnicas, o conhecimento não convertido em comportamento torna o homem, ao invés de dono, refém de si. Não há um dia sequer que o trabalho com desenvolvimento humano na capacitação das novas lideranças não nos revele a mensagem do autor na roupagem dos males modernos.

O processo de se conhecer pressupõe um saber percebido nas coisas simples. Para ser dono de si o homem precisa resgatar sua essência e valorar o essencial. Deve buscar entender-se, dar conta dos seus sentimentos, organizar suas emoções. Acolher seus talentos e também suas limitações. Além do ter reaprender a ser. Reencontrar seu propósito de vida, reconhecer-se pelo que é capaz de realizar no mundo e afetar o outro com o que traz em si de melhor. Definir-se dono não apenas pela posse, mas principalmente pelo valor de saber ser quem é.

Waleska Farias

Waleska Farias
Consultora de carreira e imagem


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