Mulher em Foco: Entre Eles e Elas.

Quando se trata da relação da mulher como força de trabalho nas empresas o que não faltam são variáveis a serem consideradas. Tomando por base que na *década de 70 apenas 18% das mulheres trabalhavam e que chegamos a 2007 com mais da metade delas (52,4%) em atividade, é inegável que houve uma progressão exponencial.

No Brasil as mulheres são a maioria da população, estão mais presentes no mercado de trabalho e representam, hoje, o sustento de 37,3% das famílias. Mas, além da expansão da mulher no mundo corporativo é preciso considerar também o conceito de gênero como base comparativa da qualidade desse crescimento. Dados e estatísticas ainda revelam divergências nos gráficos de cargos e salários entre homens e mulheres.

Segundo relato da ONU as desigualdades de gênero ainda permanecem profundamente arraigadas nas sociedades. Muitas mulheres não têm acesso a um trabalho decente, tendo que enfrentar, além das disparidades salariais, questões ocupacionais de segregação, violência e discriminação. Pessoas igualmente produtivas que desempenham as mesmas funções, mas que muitas vezes são exigidas e remuneradas de modo diferente devido ao seu gênero, comprometendo a condição de igualdade como imperativo do valor humano.

*Para acelerar a implementação das metas sobre a igualdade de gênero e o empoderamento das mulheres, a Assembleia Geral da ONU em julho de 2010 criou a ONU Mulheres. A entidade das Nações Unidas que fundamentada na visão de igualdade trata as questões relativas ao gênero, não apenas como um direito básico a ser exercido, mas como incentivo a estruturas socioeconômicas mais prósperas e sustentáveis, por intermédio do final da discriminação e promoção da igualdade entre mulheres e homens como parceiros e beneficiários do desenvolvimento dos direitos humanos.

No entanto, a relação trabalho-mulher não depende apenas das oportunidades do mercado empregador. A inserção da mulher no mundo do trabalho não a libera das suas funções familiares e sociais. Existe uma estrutura intrincada na conjugação das suas obrigações pessoais e profissionais que favorece a crença de que a mulher não tem a mesma disponibilidade que o homem para dedicar-se com excelência à vida executiva. Com isso as mulheres, de modo geral, acabam mais propensas a crescer em funções administrativas e educativas.

Definido o problema do gênero como de ordem estrutural, por estar enraizado nas sociedades a partir das crenças e valores sobre o sexo biológico, para superá-lo é necessário que haja esforços direcionados à criação de políticas de valorização, educação e, principalmente, de conscientização sobre a necessidade de diminuir as lacunas impostas pela cultura das diferenças.

Na luta pela equivalência é fundamental que, essencialmente, as mulheres tenham consciência da importância de se reconhecerem pelo que são capazes de realizar, por suas conquistas, e não condicionadas à percepção da falta. E, em conjunto com os homens, possam construir um caminho onde o senso de igualdade possibilite oportunidades de trabalho mais justas e relações mais honestas na condição de salvaguardar os direitos e oportunidades do homem como, também, da mulher. Menos divergências, mais acolhimento às diferenças na consideração do respeito à diversidade como preservação do valor humano nas organizações, onde “eles e elas”, compartilhem juntos o valor desse diferencial.

(*) Mulheres, trabalho e família – Fundação Carlos Chagas

(*) ONU Mulheres: https://nacoesunidas.org/agencia/onu-mulheres/

Waleska Farias

Waleska Farias
Consultora de carreira e imagem


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